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Viver no Campo - Teresinha


               "LOGO QUE O OUTONO VENHA, PROCURA A LENHA"

O Outono trocou-nos as voltas este ano. Durante grande parte de Outubro o calor continuou a aquecer as tardes de brincadeira da Teresinha e apesar de ter comprado uns livros para entretê-la dentro de casa, eles continuaram nas prateleiras. Aproveitámos para coleccionar caracóis (“piapau” no dialecto da minha filha) perdidos pelo campo, continuámos as regas diárias do jardinzinho de cheiros e mantivemos os verdes passeios pelo pinhal.

risonho, mostrando os seus dentes branquinhos, ainda imaculados.

A Teresinha aprende velozmente vocabulário. Estou impressionada com a capacidade de absorção das crianças nesta fase. Viramos as costas e já sabem mais 10 palavras. Para me rir, e a pretexto de mais um beijinho apertado nas bochechas, peço-lhe que diga e aponte onde está a tartaruga: - solta um “babauga!”



Aos 18 meses já tem quase todos os dentes. Dou graças ao colar de âmbar nunca ter tido febres e outras queixas.  Alguém me aconselhou que comprasse. Pelo sim, pelo não... e resultou!
Aqui fica a informação e sugestão:
O colar de âmbar para bebé tem a reputação de facilitar o romper dos dentes, apaziguar a dor por este provocada e equilibrar o processo de salivação.
O âmbar provém da fossilização das florestas de pinheiros (Pinus Succinifera) que foram recobertas pelo Mar Báltico na época da glaciação há 40.000 anos atrás. O âmbar é conhecido desde tempos remotos pelas suas qualidades terapêuticas conferindo-lhe ainda hoje o nome de “Pedra Mágica”: ela flutua em água salgada, revela um cheiro intenso à pinheiro quando queimada e carrega-se de electricidade quando esfregada. A pedra fossilizada de âmbar, ao contacto com a pele, fornece óleos essenciais com propriedades apaziguadoras e terapêuticas úteis na prevenção e no tratamento de erupções cutâneas, alergias e eczemas, entre outras.

Entretanto, apanhámos marmelos e fizemos 3 kg de marmelada. Ajudámos na apanha da azeitona e fizeram-se 23 litros de azeite. Estas foram as grandes experiências da nossa vida no campo!
As folhas das árvores começaram a cair aos poucos e antes que a chuva viesse apanhámos as pinhas do chão. Só faltou a caruma... não fomos a tempo.
 Outubro é um mês que associo ás cores quentes das folhas das árvores, aos primeiros fumos da lareira, ao sabor da marmelada com nozes e à sensação dos pingos da chuva na cabeça. Chega o Outono e com ele o recolher obrigatório a casa.
Chegou tarde mas em força.
- Teresinha, vamos para dentro que está a chover!

Viver no Campo - Teresinha


REGRESSO ÁS AULAS

Agosto
Os pássaros calaram-se para deixar falar o calor mas a sinfonia das rãs do tanque continuou.
E a Teresinha cresceu...
Apanhámos tomates sumarentos e as mais belas beringelas de sempre. Brindámos a vinho branco fresco nos finais de tarde e á noite dormimos protegidos com os mosquiteiros, ou não fossem os mosquitos fazer festim á nossa conta.
E a Teresinha cresceu ainda mais!


Graças ás visitas dos primos, a Teresa da Anunciada passou um Verão mais alegre. Uma das nossas preocupações acaba por ser o eventual isolamento da nossa filha e portanto, cada vez que recebemos visitas ficamos duplamente felizes.
Fizemos umas visitinhas á praia (apeteceu-nos ficar mais...) e foi uma maravilha vê-la a descobrir o mar e brincar com a areia, mas foram os banhos de água doce, os passeios matinais, e as brincadeiras de tarde com a prima Benedita que fizeram a regra e entretém  da caganita.
Os chapéus deixaram de servir e alguns dos sapatos herdados voltaram ao dono original.
Eu continuo mãe-galinha-do campo, espantada com as palavras que a Teresa já diz,  com a velocidade com que corre e com a forma com que já brinca.


Setembro
Numa época de regresso á escola concluo que foi bom mater a Teresinha em casa.
Pensámos, em determinada altura, que talvez fosse bom para ela ir á escola.
As hipóteses em Tomar seriam as amas da Segurança Social que têm á sua guarda cerca de 4 miúdos ou uma escolinha que nos recomendaram. Na 1ª a Teresinha estaria com bebés mais pequenos do que ela (inadequado á partida) e na 2ª já não havia vagas.
Pesadas as nossas condições de vida, seguindo o nosso feeling e feita alguma pesquisa, achámos que o melhor era continuar a tê-la em casa. Tem agora 18 meses e terá pela frente muitos anos de escola para aprender e estar com amigos.
Acompanhar, diariamente e de perto, o crescimento de um filho é talvez um privilégio que muitas mães, infelizmente, não conseguem ter.


Mas para fazer jus a esta época, a Teresinha vai regressar ás aulas de natação. Vou ter de lhe comprar uma touca nova. A Teresinha cresceu tanto!

Ir Viver para o Campo - Teresinha



CRESCER: AS DÚVIDAS E AS CONFIRMAÇÕES

Chegámos á quinta há seis meses!

Cada mês que passou foi uma aventura, cada mês que passou foi um desafio. Seis meses é tão pouco mas o suficiente para tantas transformações. Não é sempre fácil. Muitas vezes pergunto-me se não devia estar atrás da secretária, com uma missão específica, regular e séria, no sentido a que todos estamos habituados, e a trazer dinheiro para casa. Muitas vezes fico ansiosa porque se calhar devia ter continuado a “carreira”. As dúvidas assim como vêm, vão. Não sei como será a minha vida daqui a uns anos (nunca fui boa a planear longos períodos de tempo) mas o meu coração diz-me que a minha decisão é a correcta. Dá mais trabalho começar do zero mas frutos saborosos serão colhidos.

Entretanto cresci como mãe, dei mimo a uma casa e terra que estavam tristes, plantei flores, já choveu e o sol agora brilha. Acho que agora sou uma verdadeira mãe-galinha do campo. Entre os mil afazeres a que a quinta me obriga, acompanho as conquistas da Teresinha. Isto é um privilégio para mim. A Teresinha cresceu. Aprendeu a andar, descobriu o maravilhoso mundo da terra e das brincadeiras com água e tornou-se mais menina e menos bebé - e começa a precisar de um irmão!

A propósito das minhas dúvidas, e a título de consolo, lembrei-me deste poema do Pablo Neruda:

Morre lentamente,
quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente,
quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente ,
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor, ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente,
quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente,
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e
os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente,
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece,
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo
exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.

Pablo Neruda

Viver no Campo - Teresinha

TENHO UMA BONECA ASSIM, ASSIM

“A Teresinha está quase, quase a andar” – tenho repetido esta frase ao longo dos dois últimos meses mas começo a achar que a devo substituir por “a Teresinha qualquer dia anda”. Uma das coisas que muito entusiasma a minha filha é ir para a rua. Põe-se-lhe o chapéu e já sabe que é hora de passeio. Pacientemente lá vamos nós atrás dela. Senta-se. Uma pedra suscitou curiosidade e tenta levá-la á boca. “Não, não, na boca não!”. Prossegue caminho, sempre de mão dada, roçando nas ervas que cresceram com a Primavera, arranca os botõezinhos amarelos dos malmequeres e recebe as lambidelas da Ginga, a “salsicha” preguiçosa que teima em lambuzar a cara da Teresinha. A rota repete-se diariamente por entre os cedros, depois os pinheiros até ao pátio grande. Solta o “olá” aos restantes cães do sítio, fica indiferente ás ladradelas e vai directa á caixa das bolachas Maria que já compraram de propósito para lhe fazerem o gosto. O regresso faz-se pelos choupos - os pólenes já abrandaram, as tosses passaram mas agora é altura de verificar as carraças, atenção!

Mas bom, achei que com tanto passeio a criança andaria rapidamente, mas não. Apesar de sabermos perfeitamente que cada criança tem o seu ritmo, caímos sempre na tentação de desejar precocidade nos filhos - como se isso fizesse diferença no amor que lhes temos ou os tornasse melhores. São tantos os tropeções na terra, pedras e obstáculos variados que a Teresa ainda não tem confiança para andar sozinha – mas qualquer dia anda!

Embora sem grande continuidade, antes de nascer, a Teresinha ouvia alguma música. Li que fazia bem e isso é sabido. Efeito directo ou não, é na segurança da alcatifa ou da cadeirinha que a Teresa se torna mais exuberante: dança, bate palmas e agora até já tenta cantar. Reconhece sobretudo as músicas da Escolinha de Música mas á hora do jantar, quando pomos o iPod a tocar, toca de dançar. É um efeito mágico e fico fascinada: será que vai ser música? E embora saiba que não se deva fazer (a hora das refeições deve ser calma, curta e sem palhaçadas – também li e whatever!), nas alturas de crise nas refeições os vídeos são a minha salvação – acabou-se a paciência e um bocadinho de internet não lhe fará mal. Ela vive no campo! Com o karaoke do video, afino a voz e aqui vai disto: http://www.youtube.com/watch?v=6c4O-Qwtysc

Eu sei. Não é a letra mais pedagógica mas fica no ouvido!

V - Viver no Campo - Teresinha




CICLO DA VIDA

Uns ciclos terminam e outros começam. A Avó Eva era uma mulher cheia de vitalidade, paixão e inteligência. Apesar de já estar um pouco alheada das coisas, fui dar a conhecer a sua bisneta quando nasceu. Pegou na Teresinha ao colo, beijou e disse que era um bebé bonito. Fiquei emocionada por poder apresentar a minha filha a uma mulher que tanto me marcou. No dia 20 de Abril a Teresinha perdeu a sua única bisavó. Com 97 anos a Avó Eva decidiu partir no dia em que o meu pai/seu filho faria 67 anos. São os ciclos e sinais da vida. Espero saber transmitir á minha filha coisas tão boas como esta mulher me transmitiu.

Começa um novo ciclo. A nossa horta está a começar. Depois de fresada a terra (desbastada, revolvida, cortadas as ervas), fizeram-se as regadeiras e plantámos as primeiras coisas: alfaces, tomates, cebolas, couves, beringelas, brócolos, melancia, melão e muito mais! Veremos se o calor e as fortes chuvadas não nos estragam as colheitas. Estamos muito entusiasmados pois este era um dos grandes projectos para 2011.

Em homenagem á Terra e á Vida:

Ode á Terra - Miguel Torga

Também eu quero abrir-te e semear


Um grão de poesia no teu seio!


Anda tudo a lavrar,


A abrir leques de sonho e de centeio,

E são horas de eu pôr a germinar


A semente dos versos que granjeio.

Na seara madura de amanhã


Sem fronteiras nem dono,


Há de existir a praga da milhã,


A volúpia do sono


Da papoula vermelha e temporã,


E o alegre abandono


De uma cigarra vã.



Mas das asas que agite,


O poema que cante


Será graça e limite


Do pendão que levante


A fé que a tua força ressuscite!



Casou-nos Deus, o mito!


E cada imagem que me vem


É um gomo teu, ou um grito


Que eu apenas repito


Na melodia que o poema tem.



Terra, minha aliada


Na criação!


Seja fecunda a vessada,


Seja à tona do chão,


Nada fecundas, nada,


Que eu não fermente também de inspiração!



E por isso te rasgo de magia


E te lanço nos braços a colheita


Que hás de parir depois...


Poesia desfeita,


Fruto maduro de nós dois.



Terra, minha mulher!


Um amor é o aceno,


Outro a quentura que se quer


Dentro dum corpo nu, moreno!



A charrua das leivas não concebe


Uma bolota que não dê carvalhos;


A minha, planta orvalhos...


Água que a manhã bebe


No pudor dos atalhos.



Terra, minha canção!


Ode de pólo a pólo erguida


Pela beleza que não sabe a pão


Mas ao gosto da vida!

IV - Ir Viver para o Campo - Teresinha



DIAGNÓSTICOS PARA TODOS OS GOSTOS

Têm-se mostrado evidentes as vantagens da retirada para o campo mas de vez em quando surgem uns pequenos senãos, e isto dependendo da perspectiva que quisermos adoptar.

A consulta do 1º ano calhou numa ida á capital e que coincidiu com o inicio da doença.

Médico de Lisboa: estava claramente em dia não e despachou em grande velocidade a Teresinha. Ai a vida na cidade penso para mim... Examinou-a e, com segurança, diagnosticou uma rino-faringite. Coincidente ou não, a minha filha está abaixo do percentil. Mmmm... Fico aliviada por obter um diagnostico de simples tratamento e que exclui antibióticos mas fico decepcionada por saber que a minha filha que come bem, sem birras e que respira o ar do campo está a baixo do peso ideal... Mandou-nos fazer exames.

A Teresinha estava a melhorar mas teve uma quebra. A febre voltou. O que fazer? Ainda não temos médico de família, o pediatra dela está em Lisboa e Tomar não tem pediatria. Resta-nos ir ao hospital de Torres Novas, coisa que não é propriamente ao virar da esquina...

Médico de Torres Novas: após calma examinação, sucintamente e sem grandes falas, a médica diagnosticou otite á esquerda. Receitou antibiótico, umas tralhas para o nariz e Ben-u-ron para a febre. Contrariados por ter de dar antibiótico, ao menos sabíamos o porquê do retrocesso. A caminho, ao olhar para a receita apercebo-me de que tem nome estrangeiro. Ah! Então foi por isso que não falou muito... De onde será? Será boa médica??? E porque não dá jeito nenhum fazer quilómetros para ir ao pediatra, conseguimos nessa mesma tarde uma consulta num pediatra em Tomar. Foi-nos recomendado por não passar remédios a torto e a direito – “mas atenção, já tem alguma idade e já não vê muito bem”.

Médico de Tomar: “Mas está aqui uma menina linda! Otite? Não vejo nenhuma e não vale a pena dar-lhe já antibiótico” e isto enquanto a D. Ângela, a assistente, entretinha a Teresinha, mostrava a Mini e o Mickey de plástico esmorecido pelos seus 20 anos de entretenimento no consultório. Calmamente, conversava com o médico sobre o rol de exames que a Teresinha supostamente teria de fazer, da vitamina D que apanha nos passeios solarengos, dos clínicos do SNS que não são pediatras mas que têm de fazer os bancos porque não há médicos suficientes... “Amanhã ligue para me pôr ao corrente da Teresinha, está bem?” Ouvir isto de um pediatra é um luxo. Só mesmo na província!

Berros ás três da manhã... Mas o que se passa? A febre estava a baixar... Na manhã seguinte reparo no ouvido esquerdo e estava sujo – ops, a otite tinha rebentado... Telefonemas para o pediatra de Lisboa para confirmar doses e antibióticos que Torres Novas tinha receitado. “Se a otite já rebentou não dê esse mas aquele antibiótico”... Liguei na mesma ao médico de Tomar. “Sr. Dr. A Teresinha tinha mesmo otite...” Antibiótico para a frente.

Tenho de confessar que a demanda pelos médicos não ficou por ali. Temos de ter alguém em quem possamos confiar, para não ter de ir a Lisboa ou a Torres Novas. Fui a outro médico em Tomar.. Baaaaaaahhhhh, Surpresa: otite nos dois ouvidos!

Já não quis saber e não me perguntem se já tenho solução para a próxima doença.

IV - Ir Viver para o camo - Teresinha

DIAGNÓSTICOS PARA TODOS OS GOSTOS

Têm-se mostrado evidentes as vantagens da retirada para o campo mas de vez em quando surgem uns pequenos senãos, e isto dependendo da perspectiva que quisermos adoptar.

A consulta do 1º ano calhou numa ida á capital e que coincidiu com o inicio da doença.

Médico de Lisboa: estava claramente em dia não e despachou em grande velocidade a Teresinha. Ai a vida na cidade penso para mim... Examinou-a e, com segurança, diagnosticou uma rino-faringite. Coincidente ou não, a minha filha está abaixo do percentil. Mmmm... Fico aliviada por obter um diagnostico de simples tratamento e que exclui antibióticos mas fico decepcionada por saber que a minha filha que come bem, sem birras e que respira o ar do campo está a baixo do peso ideal... Mandou-nos fazer exames.

A Teresinha estava a melhorar mas teve uma quebra. A febre voltou. O que fazer?Ainda não temos médico de família, o pediatra dela está em Lisboa e Tomar não tem pediatria. Resta-nos ir ao hospital de Torres Novas, coisa que não é propriamente ao virar da esquina...

Médico de Torres Novas: após calma examinação, sucintamente e sem grandes falas, a médica diagnosticou otite á esquerda. Receitou antibiótico, umas tralhas para o nariz e Ben-u-ron para a febre. Contrariados por ter de dar antibiótico, ao menos sabíamos o porquê do retrocesso. A caminho, ao olhar para a receita apercebo-me de que tem nome estrangeiro. Ah! Então foi por isso que não falou muito... De onde será? Será boa médica??? E porque não dá jeito nenhum fazer quilómetros para ir ao pediatra, conseguimos nessa mesma tarde uma consulta num pediatra em Tomar. Foi-nos recomendado por não passar remédios a torto e a direito – “mas atenção, já tem alguma idade e já não vê muito bem”.

Médico de Tomar: “Mas está aqui uma menina linda! Otite? Não vejo nenhuma e não vale a pena dar-lhe já antibiótico” e isto enquanto a D. Ângela, a assistente, entretinha a Teresinha, mostrava a Mini e o Mickey de plástico esmorecido pelos seus 20 anos de entretenimento no consultório. Calmamente, conversava com o médico sobre o rol de exames que a Teresinha supostamente teria de fazer, da vitamina D que apanha nos passeios solarengos, dos clínicos do SNS que não são pediatras mas que têm de fazer os bancos porque não há médicos suficientes... “Amanhã ligue para me pôr ao corrente da Teresinha, está bem?” Ouvir isto de um pediatra é um luxo. Só mesmo na província!

Berros ás três da manhã... Mas o que se passa? A febre estava a baixar... Na manhã seguinte reparo no ouvido esquerdo e estava sujo – ops, a otite tinha rebentado... Telefonemas para o pediatra de Lisboa para confirmar doses e antibióticos que Torres Novas tinha receitado. “Se a otite já rebentou não dê esse mas aquele antibiótico”... Liguei na mesma ao médico de Tomar. “Sr. Dr. A Teresinha tinha mesmo otite...” Antibiótico para a frente.

Tenho de confessar que a demanda pelos médicos não ficou por ali. Temos de ter alguém em quem possamos confiar, para não ter de ir a Lisboa ou a Torres Novas. Fui a outro médico em Tomar.. Baaaaaaahhhhh, Surpresa: otite nos dois ouvidos!

Já não quis saber e não me perguntem se já tenho solução para a próxima doença.

II- Ir viver para o Campo - Teresinha



QUANTO TEMPO UMA MÃE TEM

 

Mulheres sentem-se culpadas quando levam trabalho para casa. 09/03/2011

http://ww2.publico.pt/Sociedade/mulheres-sentemse-culpadas-quando-levam-trabalho-para-casa_1483844

 

A propósito desta notícia...

 Uma das razões que me ajudou a pedir uma licença para assistência a filho foi o medo dos horários loucos da televisão. Como produtora de informação, esgotados os meses de horário reduzido, esperar-me-iam horários por turnos, incluindo fins de semana, dias úteis, noite e dia.

Sofria por antecipação e perguntava-me como é que iria conseguir estar com a Teresinha, acompanhá-la regularmente, seguir os seus ritmos e desenvolvimento. Conseguiria eu “viver” a minha filha em qualidade e quantidade?

 

A decisão estava tomada. Vamos deixar os nossos empregos, no matter what, e vamos viver para Tomar.

Comecei a pensar nas opções: peço uma licença sem vencimento e se for recusada (suspeito que seria), despeço-me. Eis senão quando me dizem que existe uma licença especial de maternidade. E fez-se luz!

Mães de todo o Portugal, oiçam! O artigo 52º do Código de Trabalho estipula uma licença para assistência a filho, ainda que esgotado o período inicial da licença de maternidade. Segundo este artigo, a licença é comunicada e não está condicionada á autorização da entidade patronal. Até ao limite de dois anos, a licença pode ser gozada ininterruptamente ou de modo interpolado. Um pormenor... deixa-se de receber ordenado.

Para quem não quer tomar a decisão radical de se despedir e para quem quer passar mais tempo com um filho durante determinado período, o artº 52º é a salvação. Acabado o tempo requerido, está garantido o regresso ao local de trabalho.

 

Estou de licença há dois meses, não trago trabalho para casa, nem tão pouco preocupações laborais (terei outras, como é obvio). A minha carreira está em banho-maria, os tostões estão todos contados mas tenho todo o tempo do mundo!

Em Tomar, no campo, a viver uma licença de maternidade, o tempo tem outro gosto e outra velocidade: sabe a alecrim e alfazema, sabe a risadas infantis e a passeios em terra húmida / tem 24h serenas e de bem com a vida.

Teresa

 

Aqui fica o artº 52º

 

Artº 52º - Licença para assistência a filho

1 – Depois de esgotado o direito referido no artigo anterior, os progenitores têm direito a licença para assistência a filho, de modo consecutivo ou interpolado, até ao limite de dois anos.

2 – No caso de terceiro filho ou mais, a licença prevista no número anterior tem o limite de três anos.

3 – O trabalhador tem direito a licença se o outro progenitor exercer actividade profissional ou estiver impedido ou inibido totalmente de exercer o poder paternal.

4 – Se houver dois titulares, a licença pode ser gozada por qualquer deles ou por ambos em períodos sucessivos.

5 – Durante o período de licença para assistência a filho, o trabalhador não pode exercer outra actividade incompatível com a respectiva finalidade, nomeadamente trabalho subordinado ou prestação continuada de serviços fora da sua residência habitual.

6 – Para exercício do direito, o trabalhador informa o empregador, por escrito e com a antecedência de 30 dias:

a) Do início e do termo do período em que pretende gozar a licença;

b) Que o outro progenitor tem actividade profissional e não se encontra ao mesmo tempo em situação de licença, ou que está impedido ou inibido totalmente de exercer o poder paternal;

c) Que o menor vive com ele em comunhão de mesa e habitação;

d) Que não está esgotado o período máximo de duração da licença.

7 – Na falta de indicação em contrário por parte do trabalhador, a licença tem a duração de seis meses.

8 – À prorrogação do período de licença pelo trabalhador, dentro dos limites previstos nos n.os 1 e 2, é aplicável o disposto no n.º 6.

 

Ir Viver para o Campo - Teresinha




A Teresa mãe e a teresinha filha saíram de Lisboa e foram viver para Tomar, para o campo saborear de uma longa licença para ser mãe.

Eis o iniício da sua partilha...

Faz um ano.

Há um ano andei a correr e a saltar numa praia da Caparica, fui comer caril num indiano de esquina e bebi sumo de ananás num miradouro de Lisboa. No final do dia, tomei um banho de imersão – fiz tudo o que supostamente, diz-se por aí, provoca contracções. Nada funcionou. 

A Teresinha só nasceu dias depois, com 41 semanas, induzido o parto. Na véspera fui ao cinema ver “NAS NUVENS”, com o George Clooney - nada de memorável. Estava longe de saber o que é verdadeiramente subir aos céus quando se tem um filho nos braços.

Na noite em que a Teresa da Anunciada nasceu estava NAS NUVENS - mas não sem antes sentir medo: receava não dilatar o suficiente e que me propusessem uma cesariana. Acabei com a minha filha nos braços, depois do parto vaginal. NUVENS gordas, fofas, brancas - daquelas perfeitas dos desenhos das crianças!!!

Entretanto, vivi seis meses de licença de maternidade – NAS NUVENS - amamentei 10, trabalhei três em horário reduzido. Medo outra vez: e quando deixar de ter horário reduzido? Como vou conseguir conciliar ser a boa mãe que desejo ser e ser a profissional que gosto de ser?

Quis o destino, quis a família que fossemos viver para o campo há um mês. Que medo – que mudança tão radical...

Mas estamos NAS NUVENS!... A Teresinha cresce radiosamente e eu tento ser uma mãe - profissional. 

Parabéns minha filha.


Há ano nas NUVENS!

Teresa

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