Parto vaginal depois de cesariana
O potencial risco de ruptura uterina leva a que as mulheres que já tiveram um parto por cesariana sejam ainda aconselhadas a fazer nova cesariana em gravidezes posteriores.
Nos últimos anos, essa prática foi-se alterando. Em 2004, um estudo em larga escala revelou que o risco de ruptura era para mulheres com cesariana prévia de 0,7 por cento.
Um novo estudo sugere agora que esse risco é ainda inferior, não sendo, por isso, significativo. Assim sendo, os investigadores afirmam que é seguro para grávidas com cesariana ou cesarianas anteriores, optar pelo parto vaginal. Mulheres já com três cesarianas na história médica não mostraram riscos acrescidos ao optarem por um parto vaginal.
O estudo fez uma revisão dos registos de 25 mil mulheres, com cesarianas anteriores, que deram à luz em 17 hospitais americanos. 860 destas grávidas já tinham sido submetidas a três cesarianas anteriormente; destas, 89 mulheres tentaram o parto vaginal, enquanto 771 marcaram nova cirurgia para retirar o bebé.
Não houve registo de rupturas uterinas em nenhum dos grupos. As 89 mulheres que optaram pelo parto vaginal após três cesarianas não revelaram também maior incidência de outras lesões, nomeadamente ao nível do aparelho urinário ou lacerações da artéria uterina (outras complicações tradicionalmente associadas a partos vaginais após cesarianas).
As probabilidades de conseguir o parto vaginal revelaram-se semelhantes, fosse qual fosse o número de cesarianas anteriores. 13600 mulheres com uma ou duas cirurgias no «currículo» optaram pelo parto vaginal - 75 por cento conseguiu-o. No gurupo das que já tinham passado por três cesarianas a percentagem foi até supeiror: 80 por cento. Todas elas tinham tido incisão transversal baixa - o que diminui os riscos de ruptura uterina, em relação à incisão vertical antigamente usada.
Outro ponto a referir é que se houve também um parto vaginal anterior, as probabilidades de sucesso na opção pelo parto vaginal são ainda superiores.
Os resultados do estudo foram publicados no British Journal of Obstetrics and Gynaecology (BJOG).
Corte do cordão umbilical deve ser atrasado
Antes do corte, os médicos prendem (pinçam) o cordão umbilical para que este pare de pulsar, um procedimento que é realizado no primeiro minuto após o nascimento, mas uma revisão sobre o tema indica que esperar até o cordão deixar de pulsar traz múltiplos benefícios para a saúde do bebé.
Vários estudos sobre o tema têm reforçado a importância do sangue do cordão umbilical, rico em células estaminais, para a saúde do bebé. Neste estudo, liderado por Paul Sanberg, da University of South Florida, nos EUA, os cientistas salientam ter sido verificado que estas células do sangue do cordão umbilical ajudam a evitar problemas, como doenças respiratórias crónicas, anemia, problemas da visão, septicemia e, até, hemorragia cerebral.
A prática de prender o cordão começou há cerca de 50 anos, quando não se sabia a importância das células estaminais. Mas, segundo o cientista, parar essa transferência de sangue antes que essa função cesse por si própria é contraproducente. O cientista refere até o facto de, antes de o parto ser realizado amplamente em ambiente hospitalar, as mulheres darem naturalmente à luz de cócoras, uma posição que facilitaria a passagem do sangue do cordão umbilical para o bebé nos momentos após o nascimento.
Os cientistas referem que, actualmente, cada vez mais os médicos alargam o período do entre o parto e o e corte do cordão, aliás, porque muitas mães pedem para que o bebé seja colocado na sua barriga antes do corte, facto que atrasa ainda mais esse procedimento. Também fazem questão de avisar as mães que esperar mais tempo até que seja efectuado o corte não irá impedir que, caso queiram, as células do cordão umbilical sejam guardadas para uso futuro, procedimento cada vez mais comum no mundo ocidental.