Por Carlos González
As mães que continuam amamentando após um ano enfrentam muitos problemas, sobretudo devido às críticas de quem crê que isso “não é normal” e as ameaçam com todo tipo de doenças e catástrofes.
Na realidade, não se conhece qual é a idade “natural” do desmame no ser humano. Cada cultura tem a esse respeito seus próprios costumes, apesar de que nenhuma desmama tão cedo quanto a cultura ocidental do século XX. A antropóloga norte-americana Katherine Dettwyler (1) abordou a questão a partir da zoologia comparada, generalizando uma hipotética idade para o desmame no ser humano a partir dos dados referentes a outros primatas, a partir de vários parâmetros que se correlacionam de forma mais ou menos exata com a amamentação:
a) Segundo o peso do nascimento. Costuma-se dizer que os mamíferos se desmamam quando triplicam o peso do nascimento. Isso só é válido para os animais pequenos; os animais de tamanho parecido com o nosso se desmamam após quadruplicar o peso do nascimento, o que seria aproximadamente aos dois anos e meio.
b) Segundo o peso do adulto. Muitos mamíferos se desmamam ao alcançar aproximadamente a terça parte do peso do adulto. Como em nossa espécie o homem adulto é maior, isso representaria um desmame mais tardio: os meninos com sete anos (ao alcançar os 23 kg), e as meninas um pouco antes dos seis anos (com 19 kg).
c) Segundo o peso da mãe. Os pesquisadores Harvey e Clutton-Brock constataram que, em um grande número de primatas, a idade do desmame em dias é igual ao peso de uma fêmea adulta em gramas multiplicado por 2,71. Aplicando essa fórmula a uma mãe de 55 quilos, corresponderia a desmamar aos três anos e quatro meses.
d) Segundo a duração da gestação. A relação entre a duração da amamentação e a duração da gestação é muito variável entre os primatas, mas parece ter relação com o tamanho dos indivíduos. Nos macacos pequenos, essa relação costuma ser inferior a dois; mas entre nossos parentes mais próximos (em parentesco e tamanho), a relação é de 6,4 para o chimpanzé e de 6,18 para o gorila. Se assumirmos que para o ser humano essa relação deverá ser também superior a 6, o resultado é um mínimo de quatro anos e meio de amamentação.
e) Segundo a dentição. O desmame pode acontecer em muitos primatas quando ocorre a erupção do primeiro molar permanente, o que corresponderia aos 6 anos do ser humano.
Em conclusão, Dettwyler supõe que a idade normal do desmame no ser humano é entre os dois anos e meio e os sete anos.
No congresso espanhol de grupos de mães, ocorrido no ano de 2001 em Zaragoza, realizamos uma pesquisa para averiguar qual era a duração da amamentação entre as mães participantes, e que vantagens e desvantagens encontravam as mães que amamentam bebês após um ano.
Trata-se de uma amostra altamente selecionada (mães com suficiente interesse e meios econômicos para participar do evento), e que de modo algum representa a sociedade espanhola. Mas nos permite afirmar que a amamentação depois de um ano existe, ainda que seja em um grupo pequeno.
Responderam ao questionário 95 mães que juntas têm 174 filhos. Trabalham fora de casa 74, e 78 haviam amamentado mais de um ano. Somente 15 mães haviam praticado amamentação tandem (ou seja, amamentado dois filhos de idades diferentes ao mesmo tempo). Portanto, não é preciso ser dona de casa para amamentar por mais de 1 ano.
No momento da entrevista, 109 bebês haviam sido desmamados, com uma idade média de 19,1 meses, enquanto que 65 seguiam mamando, com una idade média de 20,9 meses. Ou seja, que já superaram a média e continuam mamando, o que fará com que a média global aumente muito quando ocorrer o desmame dessas 65 crianças.
A comparação entre os filhos de uma mesma mãe mostra também um incremento progressivo na duração da amamentação. Entre 20 mães com três filhos ou mais, a duração média da amamentação do primeiro filho foi de 12,8 meses. Do segundo filho, um (50 meses) ainda mamava, e os demais haviam sido desmamados com uma idade média de 19,3 meses. Do terceiro filho, 13 seguiam mamando (idade média de 25,9 meses) e 7 estavam desmamados (com média de idade de 29,3 meses). Podemos dizer que a amamentação prolongada foi tão satisfatória para essas mães, que repetiram e aumentaram a dose com os demais filhos. Com certeza, também há mães que não tiveram uma experiência satisfatória na amamentação, e é provável que estas mães não participem de congressos de amamentação. O resultado foi o seguinte:
Formação - total - Amamentaram por mais de 1 ano
Graduação - 31 - 30
Cursos seqüenciais/tecnó logo - 32 - 22
Curso técnico - 17 - 14
Ensino médio - 13 - 10
Ensino fundamental - 2 - 1
Isso contrasta com a situação tradicional de algumas décadas, em que apenas as mães pobres de zonas rurais amamentavam após 1 ano de idade. É precisamente entre as mães mais cultas e informadas que se recupera a prática da amamentação.
Responderam da seguinte forma à pergunta de se as pessoas relacionadas apoiaram ou criticaram a amamentação (pergunta feita a todas as mães, incluindo as que desmamaram antes de 1 ano de idade):
quem - apóiam - criticam
Marido ou companheiro - 77 - 6
Amigas ou vizinhas - 47 - 53
Mãe ou sogra - 44 - 39
parteira - 27 - 6
Outros parentes - 22 - 43
pediatra - 15 - 36
enfermeiras - 6 - 19
Médico ou GO - 5 - 9
Outros - 29 - 14
Considerando que cada mãe pode ter vários amigos ou vários pediatras, alguns grupos apareciam ao mesmo tempo aprovando e criticando. Observamos que o papel dos profissionais de saúde é em geral negativo, salvo no caso das parteiras. E, em todo caso, parecem influenciar menos, tanto para o bem como para o mal, que parentes e amigas. Como se nos mantivéssemos à margem.
Destaque muito positivo para o papel do marido, que quase nunca critica e que é a pessoa que mais aprova. Duvidamos que isto reflita um grande interesse pela amamentação entre os maridos espanhóis em geral, e achamos que , na verdade,aconteceu uma seleção natural: o apoio incondicional do marido é quase imprescindível para que uma mãe consiga amamentar, desfrutar da sua experiência, envolver-se num grupo de apoio e participar de um congresso sobre amamentação.
Por último, perguntamos o que foi mais agradável e o que foi mais desagradável ao amamentar bebês maiores de 1 ano:O que é mais agradável ao amamentar bebês maiores de 1 ano:
Contato físico, olhar, vínculo - 36
Relação especial, amor, algo teu - 34
Felicidade materna, realização pessoal - 20
Comodidade e liberdade - 14
O melhor alimento - 12
Bebê feliz - 10
Consolo ou calma para o bebê - 8
É algo natural - 3
Mais saudável para o bebê - 6
Carinho - 1
O que é mais desagradável ao amamentar bebês maiores de 1 ano:
Críticas de outras pessoas - 33
Nada - 14
Mamadas noturnas - 10
Pedir muito quando a mãe não deseja - 4
Difícil de conciliar com irmãos maiores - 4
Mordidas - 4
Desmame - 4
Falta de informação profissional e de apoio social - 4
Dependência - 4
Sensação de que não vai deixar de mamar - 2
Não poder sair de noite - 2
Dificuldade para conciliar com inquietudes maternas - 2
Desinformação (medo absurdo) - 1
Problemas mamários (mastites, rachaduras) - 1
Angústia - 1
Conforme era esperado, essas mães encontram muito mais satisfações que problemas (de outro modo, não o teriam feito). Entre as vantagens se dá muito mais importância aos aspectos afetivos e psicológicos que à nutrição e à saúde física; enquanto que entre os inconvenientes destacam-se as críticas recebidas de outras pessoas, e um grande número de mães espontaneamente afirmam que não houve nada desagradável em sua experiência.
Portanto, a amamentação após uma ano de idade do bebê é uma realidade entre algumas mulheres espanholas, sobretudo de classe média-alta, e parece que a prática está crescendo. É preciso que nós profissionais de saúde adotemos um papel mais efetivo de apoio às mães que amamentam, e que contribuamos na educação da população para que estas mães recebam o respeito que merecem.
(1) Stuart-Macadam P, Dettwyler K. Breastfeeding. Biocultural perspectives. Aldine de Gruyter, New York, 1995
Tradução: Fernanda MainierRevisão: Luciana FreitasOriginal em espanhol: http://www.dardemam ar.com/Lactancia _prolongada_ por_Carlos_ Gonzalez. pdf
A Filipa e a Maria Manuel foram passear...
Hoje estamos um bocadinho com saudades, a Filipa e a Maria Manuel foram experimentar viver para outro país. A Filipa trouxe-nos umas borboletas lindas, ficaram aqui algumas por distribuir para as mães que não vieram. Mas estamos também felizes porque sabemos e vimos que a Filipa estava bem.
Hoje as tecnologias ajudam nas distâncias, já combinamos todas as quartas-feiras a Filipa e a Maria Manuel vão estar connosco no Sype!
Desejamos-te uma experiência linda e já sabes estamos sempre contigo aí pelas Africas... ahhh e prepara-te porque vamos ter contigo!
Beijinhos e boa viagem
Uma semana muito especial...
Esta é uma semana muito especial, nasceu o bebé da Mira NASCEU O DIOGO.
Dia 4 de Maio às 02H45 o Diogo nasceu feliz em casa junto da sua familia. Aqui ficam algumas palavras da Mira:
"Foi maravilhoso, melhor que o imaginado, melhor do que eu poderia ter desejado. Não , não foi orgásmico, ih, ih, ih.Mas foi algo muito animal, muito próximo da terra, da mãe natureza."
Hoje já fomos visitar a Mira e o Diogo em casa. O Diogo é lindo, sereno só o vimos a dormir. A Mira já está linda e feliz com toda a sua familia à volta.
Mira estamos muito muito felizes por ti e por te termos acompanhado todos estes meses, e tão bom que é receber as tuas palavras...
"Obrigada a todas, pelo vosso apoio, pelas mensagens de carinho, de coragem, que foram enviando à Ângela, mas sobretudo por todas vocês terem participado neste nascimento, acreditem estão todas no meu coração, vou para sempre lembrar-me deste momento e de vocês com muito carinho. Serão todas umas madrinhas especiais do Diogo.
Dia 4 de Maio às 02H45 o Diogo nasceu feliz em casa junto da sua familia. Aqui ficam algumas palavras da Mira:
"Foi maravilhoso, melhor que o imaginado, melhor do que eu poderia ter desejado. Não , não foi orgásmico, ih, ih, ih.Mas foi algo muito animal, muito próximo da terra, da mãe natureza."
Hoje já fomos visitar a Mira e o Diogo em casa. O Diogo é lindo, sereno só o vimos a dormir. A Mira já está linda e feliz com toda a sua familia à volta.
Mira estamos muito muito felizes por ti e por te termos acompanhado todos estes meses, e tão bom que é receber as tuas palavras...
"Obrigada a todas, pelo vosso apoio, pelas mensagens de carinho, de coragem, que foram enviando à Ângela, mas sobretudo por todas vocês terem participado neste nascimento, acreditem estão todas no meu coração, vou para sempre lembrar-me deste momento e de vocês com muito carinho. Serão todas umas madrinhas especiais do Diogo.
Blog Crescer com bebés
Aos bebés e profissionais de educação (Educadores, Auxiliares) Pretende ser um espaço muito simples de partilha, dedicado aos mais pequeninos e construído com pequeninas notícias que são sempre grandes conquistas para os nossos bebés em pleno desenvolvimento.
Vale a pena olhar!
http://crescercombebes.blogspot.com/
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O parto com SOM
Aqui fica um filme maravilhoso para verem com calma...
A importancia da boca, do som durante o parto e o IMPORTANTE QUE É SENTIR E VER UMA MULHER A SABER PARIR.
Video de un parto hermoso y vivido
http://www.dailymotion.com/video/x7yo8v_naitreenchantee_lifestyle
A importancia da boca, do som durante o parto e o IMPORTANTE QUE É SENTIR E VER UMA MULHER A SABER PARIR.
Video de un parto hermoso y vivido
http://www.dailymotion.com/video/x7yo8v_naitreenchantee_lifestyle
Reportagem na revista Gingko

Quando engravidou pela segunda vez, aos 39 anos, a fotógrafa e designer Susana Rapazote tinha uma certeza: não ia dar à luz Sofia, hoje com nove meses, num hospital perfumado a éter com médicos e enfermeiras desconhecidos a entrar e sair de uma sala de partos hiper-iluminada, congestionada e ruidosa. Também recusava a ideia de receber oxitocina, hormona utilizada para acelerar as contracções uterinas, e, muito menos, a epidural, anestesia induzida através de um cateter em membranas que rodeiam o tubo neural onde se encontra a espinal medula. Queria experienciar a maternidade no auge da sua lucidez, e acreditava não só nas suas capacidades psicológicas, mas também físicas para o fazer.
Diogo, o primeiro filho, nascera de cesariana, que, acredita, não ter era de todo necessária. "Deixaram-me estar em trabalho de parto cerca de 30 horas, o que já foi excepcional, mas como as águas rebentaram e havia indícios de que se podia desenvolver uma infecção, já nada pude fazer. Isto apesar de ainda sentir força e energia para aguentar as contracções,". Ainda assim, reconhece, a equipa foi extraordinariamente humana e deixou-a ver o bebé de imediato, o que nem sempre acontece. Um detalhe: a médica que a assistiu era defensora acérrima do parto natural. A recuperação física foi excelente, mas psicologicamente Susana não reagiu bem. "Reconheço a importância das cesarianas, mas sabia que o meu corpo conseguia parir. Apesar de o bebé ser grande, também eu sou larga. E, de qualquer modo, não acredito na incompatibilidade feto-pélvica".
Glória Charrua, parteira profissional há mais de 40 anos, que abandonou os hospitais civis e clínicas privadas por considerar os processos nas salas de parto excessivamente mecânicos, confirma: "Já fiz nascer bebés com mais 4 quilos e sem qualquer tipo de laceração para a mulher. Leva mais tempo, é verdade. E o problema é que os médicos são formados para tratar, não para esperar. E eu acredito que cada mulher e cada criança têm a sua hora". Desta vez mais providente, Susana não hesitou: teria a filha em casa. "Gostava que em Portugal, tal como em Inglaterra, houvesse casas de parto, onde as mulheres encontrassem todas as condições médico-sanitárias para darem à luz com privacidade, na companhia das pessoas que lhes são importantes, na posição que lhes é mais confortável, e sem recurso a intervenções forçadas". Na impossibilidade de recorrer a este serviço, optou por transformar a cozinha - para si símbolo da união familiar - na sua sala de partos privada. Isto depois de convencer o marido, de início receoso, mas que, depois de pesar os prós e os contras, a apoiou a cem por cento.
Esta decisão pode ser olhada com desdém por muita gente, mas a Organização Mundial de Saúde considera ser seguro, no caso de uma gestante de baixo risco, fazer o parto em casa, desde que disponha de assistência viável e segura. Por não se tratar de uma intervenção cirúrgica não implica um ambiente esterilizado mas sim higiénico. E o risco de infecção chega mesmo a ser inferior ao dos hospitais, onde proliferam germes a que a mulher não está habituada. Optar pelo parto domiciliário não é, porém, sinónimo de desprezo pela medicina convencional. Ao longo dada gravidez Susana fez os exames recomendados pela médica obstetra, e criou um processo no hospital da sua zona de residência para salvaguardar a bebé e a ela própria, caso algo não corresse como suposto. Mas Sofia nasceu saudável nos seus quatro robustos quilos após 16 horas de trabalho de parto. Este foi aliviado por longos banhos de água morna, e por massagens na zona lombar realizadas pela mãe e pelo marido.
Apesar de ter sido obrigada a recorrer aos serviços do hospital para ser suturada - e onde não foi particularmente bem acolhida -, Susana não hesita em afirmar: "Com as devidas condições de confiança e intimidade, asseguro que estas não são as mais insuportáveis dores do mundo". Glória Charrua confirma: "A dor não é tão intensa quanto fazem crer. A maioria das minhas parturientes não grita, algumas até dormitam entre as contracções. Além de que a passagem dos bebés pelo canal vaginal faz com que a mãe esqueça de seguida, quase por milagre, o sofrimento anterior". Susana tinha outro ponto a favor: a presença tranquilizadora de Ângela, a sua "doula" - nome que se dá à mulher que acompanha a grávida, preferencialmente ao longo de dois ou três meses, fornecendo informações práticas ou de ordem científica. Está sempre presente para transmitir confiança, favorecendo o desenrolar do parto fisiológico. Não exerce actos médicos, mas é muitas vezes comparada a uma epidural natural.
A IMPORTÂNCIA DA LOGÍSTICA
Antónia Soares, professora de ioga, também optou pelo parto domiciliário. Só aos seis meses de gestação assumiu a decisão. Até lá o instinto que a compelia a dar à luz em casa era contrariado pela sua formação científica (é formada em Biologia). Partiu, então, para a pesquisa bibliográfica. Deparou-se, provavelmente, com estudos como os de Katherine Hartmann, investigadora na Universidade da Carolina do Norte, reveladores de que nos EUA, todos os anos, cerca de 1 milhão de mulheres são submetidas desnecessariamente a episiotomias (corte vaginal feito para que o bebé possa nascer mais rapidamente). A prática é desaconselhada pela Organização Mundial de Saúde, mas realizada regularmente também nos hospitais portugueses. É provável que Antónia tenha igualmente passado os olhos pelo estudo feito a cerca de 5.000 partos acompanhados por parteiras formadas nos EUA e Canadá e que demonstrou que os partos domiciliares, quando comparados aos hospitalares, tiveram menor taxa de intervenções médicas e a mesma segurança que estas em relação à mortalidade materna e neonatal - publicado, em 2005, pelo British Medical Journal.
Surpreendente? Para a doula Catarina Pardal, formada em Educação Física e professora de pilates para grávidas, nem por isso. "As mulheres têm capacidade inata para ter filhos. Só precisam de acreditar, sentir-se apoiadas e, claro, não serem medicadas", afirma. "Ao receberem oxitocina, por exemplo, as contracções tornam-se tão fortes que, se perdem o controlo, as parturientes pedem a epidural, mesmo que não a desejassem previamente. Neste caso, é natural que qualquer mãe perca os seus instintos, o que leva ao aumento de partos instrumentalizados e cesarianas". Tudo o que Antónia queria evitar. Desde o início da gravidez que se portou "como uma verdadeira samurai", conta. Além dos exames médicos rotineiros, seguiu um plano alimentar macrobiótico - com direito a alguns deslizes - e montou uma prática de ioga. O objectivo: mobilizar a articulação coxo-femural, revitalizar o organismo, relaxar e criar espaço na zona abdominal, através de posições invertidas - um mimo extra para a pequena Ema, hoje uma bebé de 18 meses saudável, irrequieta e sorridente. Considera-se privilegiada: "Ao contrário da maioria das mulheres tive tempo para preparar a chegada da minha primeira filha em casa. É um processo moroso que requer alguma logística e até meios financeiros. Não basta querer, é preciso poder".
Resultado: aos 36 anos foi abençoada com um parto intenso, mas com apenas quatro horas de duração. Contou com a ajuda do companheiro e de Catarina, a sua doula. "Companhia indispensável ao longo de meses, porque a minha mãe e irmãs vivem no Porto e eu em Lisboa". Quando chegou, a parteira já só aparou a bebé. Quanto a Antónia, não teve de levar qualquer ponto - ajudou o facto de a bebé pesar apenas 2,7 quilos - e, passada uma semana, fazia a sua vida normal. "Senti-me em sintonia com a Ema e a natureza; fizemos um excelente trabalho juntas", recorda. "Não vou dizer que se tratou de um parto sem dor, mas foi maravilhoso".
O PARTO É UM ACTO NATURAL
Apesar dos benefícios enunciados, o parto domiciliário não é indicado para todas as mulheres. Glória Charrua, por exemplo, não aceita parturientes com problemas ginecológicos, cardíacos graves ou hematológicos. Neste último caso, devido ao alto risco de se desenvolverem hemorragias. De resto, mesmo quando o bebé teima em não dar a volta, sabe que existem soluções menos ortodoxas, tais como a acupunctura. Aprendeu esse mundo de novas possibilidades com as suas pacientes, na sua maioria ligadas às medicinas alternativas. Também não se assusta com circulares (quando o cordão umbilical se enrola no pescoço do bebé). A experiência ensinou-lhe que no período expulsivo é possível contornar a situação.
Se já foi obrigada a levar alguma mulher para o hospital? Sim, mas em situações de excepção. "Se as águas rebentam e passam mais de 12 horas sem que o trabalho de parto se desenvolva, não arrisco", diz. "Vou monitorizando o foco do bebé e consigo perceber se entra ou não em sofrimento, mas prefiro seguir as indicações médicas". O único caso fatal no seu longo historial de parteira aconteceu quando uma parturiente não lhe comunicou uma doença ginecológica de que padecia. Ainda hoje a voz de Glória treme quando recorda o incidente.
A voz treme, mas não lhe abala a confiança. A mesma que deixou Rita Rodrigues tranquila quando, grávida e recém-chegada das Ilhas Canárias, procurava desesperadamente alguém que a ajudasse a fugir dos hospitais, onde sabia que nunca receberia a atenção que, como terapeuta de Florais de Bach (método natural de cura ou de restabelecimento de equilíbrio e de harmoniaatravés de essências de flores), faz questão de oferecer aos seus pacientes. "A D. Glória conhece o corpo da mulher como ninguém", conta Rita. "E, tal como eu, acredita que a lógica actual dos hospitais é a do controle e da emergência, enquanto que em casa é a da segurança, não há lugar para o medo".
Rita, na altura com 26 anos, em vez dos serviços de uma doula, recorreu à sabedoria da mãe. "Como não trabalhei durante a gravidez tive oportunidade de ir acompanhando de uma forma pacífica todos os meus processos de transformação internos". Não procurou provas de que o seu instinto estava correcto. Talvez o companheiro, menos crédulo o tenha feito. Bastava ter acedido a um estudo da Universidade de British Columbia (no Canadá), que envolveu 862 partos em domicílio feitos por médicos, 743 em hospitais e 571 realizados por parteiras. Em casa o índice de complicações de todos os tipos diminui. Nos casos atendidos por parteiras não foram registadas mortes. Nos hospitais o índice de óbitos foi de 0,1%. Nos atendimentos domésticos por médicos essa taxa foi de 0,3%.
O parto de Rita ocorreu depois das 40 semanas recomendadas pelos médicos. "Se não fosse em casa provavelmente teria sido induzido", comenta. E teria resultado em cesariana porque levou mais do que um dia a terminar, após as primeiras contracções. Tempo suficiente para tomar banhos mornos, ouvir música baixinho, caminhar um pouco, e dormitar entre as contracções - ora sentada, ora recostada. Até que estas se tornassem violentas. "É muito importante saber que há tempo para descansar entre uma e outra contracção - a maioria das mulheres não tem essa informação. E, quando pensamos não ser possível aguentar mais, é porque estamos próximas do período expulsivo", explica Rita. Após 16 horas de trabalho de parto efectivo a sua filha nasceu, com 3,9kg. Numa próxima gravidez nada mudaria no processo, a não ser a alimentação. "Farei dieta, porque teria sido mais fácil se a Iara fosse mais pequena". De resto só consegue descrever a experiência como algo sagrado. "Procurava um caminho que se pode dizer mais animal, intuitivo e próximo da natureza". Alcançou-o. Recorda-se da onda de magia que invadiu a casa da mãe, onde teve a bebé, dos irmãos a sussurrar, emocionados, e dos mimos que lhe ofereceram dias a fio. Não tem qualquer dúvida: tanto o amor que recebeu quanto a dor que ultrapassou com a com a coragem que até aí desconhecia tornaram-na num ser humano muito mais forte.
A Organização Mundial de Saúde aconselha
- O respeito da escolha da mãe sobre o local do parto, após ter recebido as necessárias informações;
- A oferta à mulher de todas as informações e explicações de que ela necessite ou deseje;
- A liberdade de posição e movimento durante o trabalho de parto;
-O contacto precoce pele a pele entre a mãe e o bebé e o início da amamentação na primeira hora pós-parto.
A Organização Mundial de Saúde desaconselha
-- O uso rotineiro do clister e a raspagem dos pelos púbicos;
-- O uso rotineiro da posição deitada, com ou sem estribos, durante o trabalho de parto ;
-- O uso liberal ou rotineiro de episiotomia;
-- Os esforços de puxo prolongados e dirigidos durante o período expulsivo (manobra de Vasalva);
-- A correcção da dinâmica do trabalho de parto com a utilização de oxitocina.
Donas Do Parto
Na grande reportagem da TVI passou "Donas do Parte" vale a pena ver e rever. Esta no site bionascimento do lado esquerdo basta clikar para visualizar:
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